A gente não que só comida. Será?

3 de fevereiro de 2012 § 7 Comentários

O post de hoje é inteiramente dedicado ao Rodrygo do Blog Gourmet Jidai. O Rodrygo é uma pessoa que gosta de comer, e come bem. É uma pessoa que não tem reservas quando a matéria é comida; e gosta tanto de culinária que não apenas cozinha a despeito do cansado de todas as tarefas do dia, como empolga-se deveras com o assunto, a ponto de se dedicar a pesquisá-lo. Bem, pra você o post de hoje é dedicado.

Sobre a música brasileira pode-se mesmo afirmar que como diversas outras manifestações artísticas nacionais, por diversos momentos ela procurou entender o caráter e a índole do povo brasileiro. Tanto é assim que não faltam exemplos na literatura, nas artes plásticas, ou mesmo na música, onde se é possível reconhecer a ideia de “Brasil” por trás da caracterização que se faz, independentemente do signo que se elegeu para tal: o índio, o homem interiorano, ou a natureza exuberante. A meu ver, cantar a comida típica e os hábitos alimentares do povo tem em essência o mesmo objetivo de caracterização nacional que tinham os poetas românticos quando cantaram o índio e o homem americano; que os modernistas quando contaram o homem nordestino, o gaúcho, e o sertanejo; que Gilberto Freyre quando mergulhou na cozinha da casa grande, das senzalas, dos sobrados e mucambos.

Da manga rosa quero o gosto e o sumo / Melão maduro, saputi, juá / Jaboticaba, teu olhar noturno / Beijo travoso de umbu cajá / Pele macia é carne de cajú / Saliva doce, doce mel, mel de uruçu / Linda morena, fruta de vez temporana // Caldo de cana caiana, vou te desfrutar / Linda morena, fruta de vez temporana / Caldo de cana caiana, vem me desfrutar // Morena tropicana, eu quero o teu sabor / Oi, oi, oi, oi!

Mulher, você vai gostar: / Tô levando uns amigos pra conversar. / Eles vão com uma fome / Que nem me contem; / Eles vão com uma sede de anteontem. / Salta a cerveja estupidamente / Gelada pr’um batalhão / E vamos botar água no feijão. // Mulher, não vá se afobar; / Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar. / Ponha os pratos no chão e o chão tá posto / E prepare as lingüiças pro tiragosto. / Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão / E vamos botar água no feijão. / Mulher, você vai fritar / Um montão de torresmo pra acompanhar: / Arroz branco, farofa e a malagueta; / A laranja-bahia ou da seleta. / Joga o paio, carne seca, / Toucinho no caldeirão / E vamos botar água no feijão. / Mulher, depois de salgar / Faça um bom refogado, / Que é pra engrossar. / Aproveite a gordura da frigideira / Pra melhor temperar a couve mineira. / Diz que tá dura, pendura / A fatura no nosso irmão / E vamos botar água no feijão.

Meia xícara de chá de azeite / Duzentas gramas de lingüiça calabresa, ah / Uma cebola picadinha / E um pouco de salsinha
Quatro tomates batidos no liquidificador / Dois pimentões vermelhos / Duas colheres de sopa de massa de tomate /Um tablete de caldo de carne em banho-maria // Maria / Em fogo brando, uh / Maria / E está pronto para servir // O macarrão é caracol / Pouco sal e bem enroladinho / Não se esquecendo do caldo de carne / Em banho-maria // Maria / Em fogo brando, uh / Maria / E está pronto pra você!

O enxadão da obra bateu onze hora / Vam s’embora, joão! / Vam s’embora, joão! / O enxadão da obra bateu onze hora / Vam s’embora, joão! / Vam s’embora, joão! // Que é que você troxe na marmita, Dito? / Troxe ovo frito, troxe ovo frito / E você beleza, o que é que você troxe? / Arroz com feijão e um torresmo à milanesa, / Da minha Tereza! // Vamos armoçar / Sentados na calçada / Conversar sobre isso e aquilo / Coisas que nóis não entende nada / Depois, puxá uma páia / Andar um pouco / Pra fazer o quilo // É dureza João!  / É dureza João! / É dureza João! / É dureza João! / O mestre falou / Que hoje não tem vale não / Ele se esqueceu / Que lá em casa não sou só eu

Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu / Rabada com angu, rabo-de-saia / Naco de peru, lombo de porco com tutu / E bolo de fubá, barriga d’água / Há um diz que tem e no balaio tem também / Um som bordão bordando o som, dedão, violação // Diz um diz que viu e no balaio viu também / Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba / Um caldo de feijão, um vatapá, e coração / Boca de siri, um namorado e um mexilhão / Água de benzê, linha de passe e chimarrão / Babaluaê, rabo de arraia e confusão… //… Eh, yeah, yeah . . . / (Valeu, valeu, Dirceu do seu gado deu…) / Cana e cafuné, fandango e cassulê / Sereno e pé no chão, bala, candomblé / E o meu café, cadê? Não tem, vai pão com pão // Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria / A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa, e hoje em dia / Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau / E lá vem Portela que nem  / Marquês de Pombal / Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval / Lights e sarongs, bondes, louras, King-Kongs / Meu pirão primeiro é muita marmelada / Puxa saco, cata-resto, pato, jogo-de-cabresto / E a pedalada //Quebra outro nariz, na cara do juiz / Aí, e há quem faça uma cachorrada / E fique na banheira, ou jogue pra torcida / Feliz da vida // Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu / Rabada com angu, rabo-de-saia / Naco de peru, lombo de porco com tutu / E bolo de fubá,  / barriga d’água / Há um diz que tem e no balaio tem também / Um som bordão bordando o som, dedão, violação / Diz um diz que viu e no balaio viu também / Um pega lá no toma-lá-dá-cá do samba

Quero acordar bem cedinho / Fazer um lanchinho / Laranja, café, leite e pão / Quero também chocolate, iogurte, abacate, biscoito, presunto e melão / Quero comer toda hora uma torta de amora, bolinha de anis ou cajú / Eu gosto mais de torrada e uma baita fritada de carne de cobra e tatu / Eu gosto mais de torrada e uma baita fritada de carne de cobra e tatu / Até de tatu? / De cobra faz mal! / Mas que comilão! / Não, Não, não! / Comer comer, comer comer / é o melhor para poder crescer /Comer comer, comer comer / é o melhor para poder crescer // Quero comer no almoço um bife bem grosso, polenta, batata e arroz / Eu quero carne assada, banana amassada com leite e sucrilho depois / Quero ensopado de frango, sorvete, morango, suspiro, pudim e manjar / Eu vou ficar numa boa comer a leitoa com broa depois do jantar / Eu vou ficar numa boa comer a leitoa com broa depois do jantar / Depois do jantar? / Será que vai dar? / Não vai aguentar! / 1 2 3 / Comer comer, comer comer / é o melhor para poder crescer / Comer comer, comer comer / é o melhor para poder crescer / Comer comer, comer comer / Comer comer, comer comer / Comer comer, comer comer

Não existe pecado do lado de baixo do equador / Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor / Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho / Um riacho de amor / Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo / Que eu sou professor // Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar / Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá / Vê se me usa, me abusa, lambuza / Que a tua cafuza / Não pode esperar // Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar / Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá / Vê se esgota, me bota na mesa / Que a tua holandesa / Não pode esperar // Não existe pecado do lado de baixo do equador / Vamos fazer um pecado, rasgado, suado a todo vapor / Me deixa ser teu escracho, teu cacho / Um riacho de amor / Quando é missão de esculacho, olha aí, sai de baixo / Que eu sou embaixador

No tabuleiro da Baiana tem / Vatapá, Carurú, Mungunza tem Ungu pra io io / Se eu pedir você me da / o seu coração, seu amor de ia ia / No coração da Baiana também tem / Sedução, cangerê, ilusão, candonblé  / Pra você // Juro por Deus, pelo senhor do bonfim / quero você Baianinha inteirinha pra mim / E depois o que será de nós dois? / Seu aomr é tão Fulgás enganador / Tudo já fiz, fui até no cangerê / Pra ser feliz,meus trapinhos juntar com você / E depois vai ser mais uma ilusão / no amor que governa o coração

Quem quiser vatapá, ô / Que procure fazer / Primeiro o fubá / Depois o dendê / Procure uma nêga baiana, ô / Que saiba mexer / Que saiba mexer / Que saiba mexer / Procure uma nêga baiana, ô / Que saiba mexer / Que saiba mexer / Que saiba mexer // Bota castanha de caju / Um bocadinho mais / Pimenta malagueta / Um bocadinho mais / Bota castanha de caju / Um bocadinho mais / Pimenta malagueta / Um bocadinho mais // Amendoim, camarão, rala um coco / Na hora de  machucar / Sal com gengibre e cebola, iaiá / Na hora de temperar // Não para de mexer, ô / Que é pra não embolar / Panela no fogo / Não deixa queimar / Com qualquer dez mil réis e uma nêga ô / Se faz um vatapá / Se faz um vatapá / Que  bom vatapá // Bota castanha de caju / Um bocadinho mais / Pimenta malagueta / Um bocadinho mais / Bota castanha de caju / Um bocadinho mais / Pimenta malagueta / Um bocadinho mais / Amendoim, camarão, rala um coco / Na hora de machucar / Sal com gengibre e cebola

Terezinha mandou convidar / No domingo vai dar um jantar / Terezinha mandou convidar / No domingo vai dar um jantar / É um peixe com coco eu vou lá / É um peixe com coco eu vou lá / É um peixe com coco eu vou lá / É um peixe com coco eu vou lá // A pinga vem do alambique / Valdomiro foi buscar / Terezinha na cozinha / Um peixe com coco tem bom paladar / É um peixe com coco eu vou lá // Antes do peixe tem tira gosto / Tem sardinha, tem ostra e atum / Tem manjuba, mexilhão, marisco / Tem agulha frita, siri, guaiamum / É um peixe com coco eu vou lá / Refrão / No tempero tem salsa e tem cheiro / Cebolinha, tomate e limão / E tem alho, pimenta do reino / Tem coco, dendê, suco de camarão / É um peixe com coco eu vou lá / No final já de barriga cheia / O partido vai continuar / Todo mundo afroxando a correia / Cantando e sambando até o sol raiar / É um peixe com coco eu vou lá

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela / Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela // Será que a morena cochila escutando o cochicho do chocalho / Será que desperta gingando e já sai chocalhando pro trabalho // Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela / Será que ela tá na cozinha guisando a galinha à cabidela / Será que esqueceu da galinha e ficou batucando na panela // Será que no meio da mata, na moita, a morena inda chocalha / Será que ela não fica afoita pra dançar na chama da batalha /Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Passando pelo regimento ela faz requebrar a sentinela //Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela / Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela //Será que quando vai pra cama a morena se esquece dos chocalhos / Será que namora fazendo bochincho com seus penduricalhos // Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela / Será que ela tá caprichando no peixe que eu trouxe de Benguela / Será que tá no remelexo e abandonou meu peixe na tigela // Será que quando fica choca põe de quarentena o seu chocalho / Será que depois ela bota a canela no nicho do pirralho // Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Eu acho que deixei um cacho do meu coração na Catumbela // Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela / Morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA

Não adianta mentir pra mim mesma / Ficar me enganando, tentando dizer / Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce /Porque por mais que eu queira esconder / A verdade é que eu adorava pão doce / Não podia passar sem pão doce / Bastava ver padaria, que logo eu ia, que logo eu ia / Comprar // Não adianta mentir pra mim mesma / Porque no fundo, porque no fundo eu sei muito bem / Que essa história toda de não comer açúcar / Que essa história toda de não comer pão branco / Que essa história toda de viver de mel e pão integral / Isso tudo só foi começar muito depois / Depois de um tempo em que eu era / Tão completamente ingênua / Tão sem força de vontade / Que as doces delicadezas / De qualquer guloseima / Lânguidas me seduziam / E minha língua sofria / De incontrolável fascínio / Por cremes dourados
E frutas cristalizadas / Feito rubis incrustadas / Nas crostas crocantes dos pães // Mas hoje / Hoje tudo é diferente / Se eu olho pruma padaria, me ponho cismando, chego a duvidar / Como é que pôde um dia / Eu ter entrado tanto lá!… / Porque por mais que eu queira, mas que eu queira / Mentir pra mim mesma / Ficar me enganando, tentando dizer /Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce / Fazendo um exame detido, sendo sincera, eu tenho que admitir / Que a verdade, meus amigos / (pelo menos no que tange a trigos) / A verdade no duro, doa a quem doer / A verdade é que eu adorava pão doce / A verdade é que eu adorava pão doce / A verdade é que eu adorava pão doce…

Bebida é água. / Comida é pasto. / Você tem sede de que? / Você tem fome de que? / A gente não quer só comida, / A gente quer comida, diversão e arte. / A gente não quer só comida, / A gente quer saída para qualquer parte. / A gente não quer só comida, / A gente quer bebida, diversão, balé. / A gente não quer só comida, / A gente quer a vida como a vida quer. // Bebida é água. / Comida é pasto. / Você tem sede de que? / Você tem fome de que? / A gente não quer só comer, / A gente quer comer e quer fazer amor. / A gente não quer só comer, / A gente quer prazer pra aliviar a dor. / A gente não quer só dinheiro, / A gente quer dinheiro e felicidade. / A gente não quer só dinheiro, / A gente quer inteiro e não pela metade.

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